Sempre foste um dos grandes motivos para querer acordar com o mais verdadeiro sorriso na cara. Sempre foste a minha força para me levantar da cama e começar outro dia, mesmo sem a tua presença. Sempre me deste um enorme conforto, sabendo que estavas longe e que mais um dia não te teria aqui do meu lado. As vezes que desejava ir ter contigo, deitar-te na cama sussurar-te ao ouvido um 'amo-te' e beijar-te a face, acabando por te ver adormecer como um bebé. Sempre desejei que os dias fossem como o ponteiro dos segundos do meu relógio, que andam bem depressa e que passam pela minha vista quase sem eu o ver. Sempre desejei e acreditei num 'felizes para sempre', embora soubesse que isso não existe, eu acreditava que sim. Sempre adorei a forma como viviamos. Sempre quis ter-te. Queria que me pertencesses verdadeiramente, e queria pertencer igualmente, a ti. Mas nada disso era possível. Tínhamos uma longa estrada a separar-nos. Tinhamos famílias entre nós. Tinhamos tudo, menos a presença constante um do outro. Viviamos felizes mas não a 100%. Não estavamos completos. Queriamos mais. Anciávamos pelo impossível. Mas conseguimos sobreviver. Conseguimos dar vida a este grande amor que existia. Este amor de adolescentes. Esta fase bonita da nossa vida. Fase essa que nós sabiamos que iria acabar, mas queriamos acreditar que não, e que duraria para sempre. Talvez isso tenha sido um grande erro. Termos pensado no futuro. Num futuro que queriamos ter juntos. E isso não nos fez aproveitar os bons e verdadeiros momentos do presente. Talvez não tenhamos aproveitado ao máximo com a ideia de que a próxima vez seria melhor. Eu confesso; confesso que várias vezes não dei muita importância aos nossos momentos, pois pensava que não era preciso e da próxima vez logo aproveitava. Errei nesse pensamento. Errei muito. Estava farta de ouvir e de saber que devemos aproveitar todos os momentos como se fossem os últimos. Mas... Não sabia como fazer isso. Como é que aproveitamos os momentos como se fossem os ultimos? Vivemos-os intensamente? É isso que eu fazia. Mas secalhar não com a intensidade suficiente que devia. E agora perdi isso tudo. Poderia ter vivido muito mais contigo e não vivi. Por estupidez. Mas foi um erro meu. Foi meu e admito-o sem quaisquer problemas. Será que deveria ter-te dito mais vezes o quanto te amava e o quanto eras importante para mim? Será que isso mudaria alguma coisa? Secalhar... Mas não me arrependo de nada
E assim, deitada na minha cama, com aquela pequena melodia no meu ouvido e uma lágrima no olho, me despeço de ti e de tudo aquilo que tivemos.